Santo Ignatius Elias III



Santo Ignatius Elias III foi o 119º sucessor legítimo de São Pedro na Santa Sé Patriarcal de Antioquia. Segundo filho de corepíscopo padre Abraham e sua Maryam, nasceu em Mardin e foi batizado recebendo o nome de Nasri. Ele tinha 4 irmãos e 3 irmãs.

Após a morte de sua mãe, Nasri foi criado sob os cuidados de sua irmã mais velha Helena. Ele trabalhou como sapateiro na adolescência e serviu no governo por um breve período de 3 meses. Sob a direção do Patriarca Pedro IV, Nasri ingressou na escola teológica dos Quarenta Mártires.

Em 1887, ele se juntou a Deir al-Za`faran (Mosteiro do Açafrão) e foi ordenado diácono em 1887 pelo Patriarca Pedro IV. Ele se tornou sharwoyo (noviço) em 1888 e monge em 1889, recebendo o nome de Elias. O monge Elias foi ordenado qashisho (padre = presbítero) em 1892 pelo Patriarca Pedro IV.

Nos últimos anos do século 19, vários cristãos armênios e siríacos foram massacrados na Turquia. O então padre monge Elias tornou-se querido pelos cristãos armênios, fornecendo refúgio para cerca de 7.000 cristãos perseguidos no mosteiro de Mor Quryaqos.

Mais tarde, ele foi nomeado monge superior do Mosteiro de Mor Quryaqos, bem como Deir al-Za`faran. Em 1908, o padre monge Elias foi sagrado bispo de Amid (Diyarbakr) pelo Patriarca `Abded Aloho II com o nome de Mor Iwanius.

Em 1912, ele foi transferido para Mosul, onde serviu até sua elevação ao patriarcado em 1917. Depois que o Patriarca 'Abded Aloho faleceu em 26 de novembro de 1915, Mor Iwanius foi eleito Patriarca e assumiu o trono em 1917. O Firman (decreto) foi emitido pelo sultão otomano Muhammad Rashid, que o Patriarca Elias III visitou em 1919 em Istambul; o sultão conferiu a medalha Ismania ao Patriarca durante a visita. Em 1922, quando a guerra civil estourou na Turquia e Gazi Mustafa Keman Pasha assumiu a liderança da democracia recém-formada, Mor Elias III passou alguns meses em Jerusalém. Ele estabeleceu uma gráfica lá e começou a publicar revistas em siríaco e árabe.



Santo Elias III foi o último Patriarca a reinar no Mosteiro do Açafrão (Deir Za`faran) em Mardin, que foi sede do Patriarcado durante a maior parte do segundo milênio. Após o massacre dos cristãos siríacos no sudeste da Turquia, nos últimos dias do Império Otomano e durante a Primeira Guerra Mundial, o Patriarca foi forçado a deixar Mardin. Após os massacres do Genocídio SAYFO, Mor Elias III empreendeu viagens pastorais no Oriente Médio, sendo a primeira em 1919 e a segunda em 1925 para Aleppo e Jerusalém. Mor Elias III realizou um Sínodo no Mosteiro de São Mateus (Dayro d-Mor Matay) em 1930.


Lord Irwin, então vice-rei britânico na Índia, escreveu ao Patriarca em 1 de dezembro de 1930 solicitando sua intervenção pessoalmente (ou por meio de um delegado) para resolver o cisma que eclodiu na Igreja de Malankara. Sua Santidade respondeu à carta do vice-rei aceitando seu convite com certas condições em 15 de dezembro de 1930.

Devido a seus problemas cardíacos, seus médicos tentaram dissuadi-lo da viagem, porém foi em vão. Sua irmã de 75 anos também não conseguiu persuadir o Patriarca; Sua Santidade disse a ela: "A morte é inevitável aqui ou na Índia; prefiro sacrificar minha vida pelo bem de nossos filhos em Malankara".

Santo Ignatius Elias III deixou Mosul em 6 de fevereiro de 1931, acompanhado por Mor Clemis Yuhanon Abbachi, Rabban Quryaqos (posteriormente Mor Ostathios Quryaqos) e Rabban Yeshu` Samuel (posteriormente Mor Athanasius Samuel da América do Norte), seu secretário Zkaryo Shakir (filho de seu irmão Joseph) e tradutor Elias Ghaduri. Eles partiram para a Índia em 28 de fevereiro de 1931, de Basra, no navio "Warsova" e desembarcaram no porto de Karachi em 5 de março de 1931. Eles foram recebidos em Karachi pelo Delegado Patriarcal Mor Yulius Elias Qoro, Mor Athanasius Paulos de Alwaye e vários clérigos e fiéis.

Em 6 de março de 1931, o Patriarca e sua comitiva seguiram para Delhi de trem, chegando lá no dia 8, e visitaram Lord Irwin. Em 14 de março, o Patriarca chegou a Madras e ficou como convidado do governador britânico Sir George Staly. De lá, ele chegou ao Seminário Thrikkunathu em Alwaye no dia 21 de março, e ofereceu a Divina Liturgia lá no dia 22 de março.


Santo Ignatius Elias III convocou reuniões conciliatórias em Alwaye, Karingachira, Panampady e Kuruppumpady. O Patriarca liderou os cultos da Semana da Paixão (Semana Santa) em Karingachira. Uma reunião de delegados da igreja foi realizada em Kuruppumpady em 5 de julho de 1931. Os serviços denho (Epifania) em janeiro de 1932 foram na igreja em Pakkil.

Em 11 de fevereiro de 1932, a convite do padre Kuriakos Elavinamannil, o Patriarca chegou à igreja Manjinikkara de Mor Stephanos (Santo Estevão) vindo de Kallissery. A incapacidade de trazer reconciliação na igreja pesava sobre o Patriarca; além disso, as adversidades da longa viagem afetaram Sua Santidade. Ao chegar a Manjinikkara, o Patriarca disse: "Este lugar nos oferece muito conforto; desejamos permanecer aqui permanentemente".

No dia 12 de fevereiro, Sua Santidade pediu aos sacerdotes que vieram visitá-lo que não fossem embora por alguns dias. À noite, o Patriarca recitou muitas orações do qandilo (unção) e contemplou os defuntos. No dia 13 de fevereiro, Mor Clemis Yuhanon Abbachi ofereceu a Divina Liturgia; Sua Santidade fez o sermão durante a liturgia. Depois das orações do meio-dia e do almoço, como era sua rotina, o Patriarca passou um tempo registrando os eventos em seu diário; ele pediu um dicionário para obter esclarecimentos sobre o significado de uma palavra. Depois disso, ele começou a reclamar de dor de cabeça. Logo ele desmaiou e foi colocado em uma cama pelos monges, onde seguiu para o descanso eterno às 14h30. Muitas testemunhas oculares relataram uma profunda escuridão  naquela noite, acompanhando os lamentos dos monges que acompanhavam o Patriarca.


Diferentes opiniões surgiram a respeito do local de descanso final do Patriarca - uma situação que a igreja em Malankara nunca teve que enfrentar antes. A decisão foi a favor de enterrar os restos mortais em um terreno ao norte da igreja de Santo Estevão, cujo título de propriedade foi transferido para o Patriarcado. 

Em 14 de fevereiro, o funeral de Sua Santidade foi realizado lá. A igreja do Mosteiro de Santo Ignatius foi construída pelo delegado patriarcal Mor Yulius Elias Qoro sobre o túmulo do falecido Patriarca.

A memória do santo Patriarca é reverenciada em toda a Igreja Siríaca Ortodoxa, e especialmente em Malankara (Índia), onde milhares de peregrinos chegam ao túmulo a pé no dia da festa anual, 13 de fevereiro, de várias partes do estado de Kerala.

Santo Ignatius Elias III é o único Patriarca de Antioquia cujos restos mortais estão enterrados em Malankara e seu túmulo é um símbolo elevado dos sacrifícios feitos pelos padres siríacos para nutrir a igreja em Malankara.

Em 20 de outubro de 1987, o Patriarca Mor Zakka I, por meio da encíclica E265 / 87, permitiu à Igreja em Malankara lembrar seu nome no quinto díptico.

A Igreja comemora Santo Ignatius Elias III dia 13 de fevereiro, data de seu nascimento para o Céu.

Tradução: pe. Pablo Neves


Fonte: http://sor.cua.edu/