São Tiago de Serug


Dia 28/11 nosso calendário litúrgico comemora São Tiago (Jacó) de Serug (em siríaco: ܝܥܩܘܒ ܣܪܘܓܝܐ), também chamado Mor Yacoub (Jacó), que foi um dos principais poetas teológicos siríacos, talvez o único a altura de Efrém. Seu antecessor, santo Efrém, é conhecido como "Harpa do Espírito", enquanto Tiago (Jacó) é conhecido como "Flauta do Espírito". Ele é conhecido também por suas mais de 700 homilias, ou mêmrê (ܡܐܡܖ̈ܐ) dos quais apenas 225, até agora, foram editados e publicados. Abaixo um trecho de uma de suas homilias:

Homilia sobre Nosso Senhor e Jacob, sobre a Igreja e Raquel 

"Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacó?"

A vista da beleza de Raquel tornou Jacó, de certo modo, mais forte: ele conseguiu levantar a enorme pedra de cima do poço e, assim, dar de beber ao rebanho (Gn 29,10). […] Em Raquel, com quem casou, viu o símbolo da Igreja. Foi por isso que, ao beijá-la, teve de chorar e de sofrer (v. 11), a fim de prefigurar, pelo seu casamento, os sofrimentos do Filho. […] Quão mais belas são as núpcias do Esposo real do que as dos Seus embaixadores! Jacó chorou por Raquel, ao desposá-la; Nosso Senhor cobriu a Igreja com o Seu sangue, ao salvá-la. As lágrimas são o símbolo do sangue, porque não é sem dor que elas jorram dos olhos. O choro do justo Jacó é o símbolo do grande sofrimento do Filho, pelo qual a Igreja das nações foi salva.

Vem, contempla o nosso Mestre: Ele veio do Seu Pai para o mundo, aniquilou-Se para fazer o Seu caminho na humildade (Fil 2,7). […] Ele viu as nações como rebanhos sedentos e a fonte da vida fechada pelo pecado, como que por uma pedra. Ele viu a Igreja semelhante a Raquel, então avançou e derrubou o pecado, que era pesado como uma rocha. Ele abriu o batistério para a sua Esposa, para que ela se banhasse nele; e foi aí buscar água para dar de beber às nações da terra, como aos Seus rebanhos. Com toda a Sua onipotência, levantou o pesado fardo dos pecados; pôs a descoberto a fonte de água doce para o mundo inteiro. […]

Sim, pela Igreja, Nosso Senhor deu-Se a grandes trabalhos. Por amor, o Filho de Deus vendeu os Seus sofrimentos para poder desposar, à custa das Suas chagas, a Igreja abandonada. Por ela, que adorava os ídolos, sofreu sobre a cruz. Por ela, quis entregar-Se, para que ela fosse para Ele completamente imaculada (Ef 5,25-27). Ele consentiu em levar às pastagens o rebanho inteiro dos homens, com o grande cajado da cruz; Ele não rejeitou o sofrimento. Ele aceitou conduzir raças, nações, tribos, multidões e povos, para poder reaver a Igreja, sua única Esposa (Ct 6,9).