Minha Viagem em direção à Fé Ortodoxa


Abaixo a 1ª e 2ª parte do testemunho traduzido e publicado no Jornal Suryoye, da Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria (São Paulo - SP), sobre a conversão de David A. Schneider e sua família, do protestantismo à ortodoxia oriental.

PARTE I:

ANTECEDENTES HISTÓRICOS

Meu pai era luterano e minha mãe pertencia à igreja batista. Por toda minha infância minha família frequentava igrejas batistas e, quando eu estava no colegial, passamos a frequentar a igreja Templo de Betel da Assembleia de Deus em Hampton, Virgínia. Essas congregações eram típicas da vida religiosa do sul dos Estados Unidos. Assim, nós éramos uma família típica “Cristã Americana”.

Ao concluir o grau médio, frequentei durante um semestre uma Faculdade de Estudos Bíblicos (Cristo pelas Nações em Dallas) e depois, vivi com uma família Pentecostal missionária em Roma, Itália. Eu nunca desejara uma carreira de pastor, porém, menciono essas experiências para dar ênfase à forma como o cristianismo das seitas evangélicas definiram minha vida.

No início da década dos noventa, minha família mudou-se de cidade para permanecermos juntos enquanto minha mãe auxiliava na construção de uma organização de uma nova igreja junto com alguns amigos do estado de Virgínia. Nesse tempo eu estava ocupado na faculdade o que me mantinha distante daquele projeto.


O QUE ACONTECIA?

É muito difícil expressar em palavras o processo demorado que me levou a questionar a forma moderna de praticar o Cristianismo, exceto para dizer que havia algo distorcido na maneira como ela se comunica na cultura de nossos dias. Os melhores exemplos de liderança e também os mais evidentes não se encontram entre a maioria e nunca terão posição de influência, o campo da defesa da fé trata com assuntos com mais de 30 anos (deixando os leigos despreparados), com o apetite por sensacionalismo e conspirações exóticas e daí a fora. Eu, por meu lado, não conseguia identificar o principal problema – se é que havia algum. Eu sabia somente isso:

  • Eu não me sentia satisfeito na igreja;
  • Muitos de meus amigos também não estavam contentes;
  • Os livros ditos cristãos requentavam os mesmos assuntos com capas diferentes;
  • Havia a sensação de que os pastores estavam numa competição para descobrir algo “novo” e de sabor fresco toda semana;
  • A principal característica do cristianismo era a pregação. Seria essa a essência do Cristianismo? 2.000 anos com sujeitos falando em alta voz?

O que realmente me perturbava é que isso que parecia ser um grande problema era aceito com pouco questionamento:

1- Havia igrejas carismáticas com as quais eu me envolvera que pareciam apoiar “cultos de personalidades”. Não há qualquer sistema para verificação do equilíbrio das personalidades. Os pregadores e evangelizadores independentes são validados por aclamação popular e não por qualquer autoridade.

Por exemplo, certa vez assisti por poucos minutos a “cruzada evangélica” de Benny Hinn. Acredito que isso acontecera em Addis Abeba, Etiópia. Num determinado momento da transmissão, ele trouxe uma mulher que estava chorando e com seus filhos desfilou perante a plateia dizendo como ela se convertera do islamismo para o cristianismo. Existem unicamente duas possibilidades aqui: essa mulher seria uma convertida de fato ou seria uma “laranja” na plateia. Se ela fosse uma convertida autêntica, o tal evangelizador estava colocando em perigo a vida dessa mulher ao fazê-la desfilar na televisão perante milhares de telespectadores, muitos dos quais, provavelmente seriam muçulmanos. Se ela não se retratou, sua família iria renegá-la e seu marido divorciaria dela e ficaria com a custódia dos filhos.

Em alguns países ela seria condenada à morte. Será que Benny Hinn possuía algum plano de contingência para proteger os convertidos do islamismo ao cristianismo? De qualquer maneira, isso está se tornando cada vez mais típico nas igrejas evangélicas e eu sinto que isso é uma desvantagem na Fé. Se no entanto, essa conversão fosse real, por que um líder popular cristão faria uma coisa tão irresponsável perante as câmeras da televisão? É porque a plateia de Benny Hinn não sabe absolutamente nada a respeito da cultura muçulmana ou como comunicar-se com os muçulmanos. Isso nos leva a outro ponto fraco desse cristianismo moderno: esses tais líderes cristãos não ensinam nada de concreto. Eles pregam a sua própria teologia inventada por eles durante horas, porém, não conseguem contar qualquer coisa prática com relação à comunicação com os muçulmanos. Saber algo sobre isso, porém, não é importante. O que importa é que o “show precisa continuar”.

2- E ainda havia os Pais da Igreja – eu nada ouvira sobre eles dos púlpitos. Somos condicionados a comprar milhares de livros sobre o fim dos tempos enquanto que grandes obras de Clemente, Inácio, Basílio e Policarpo passam intocados por nós. Esses homens defenderam a nossa Fé contra as heresias perigosas e as críticas do paganismo intelectual.

Na verdade, alguns deles foram pessoalmente discípulos dos apóstolos e assim, a mim parecia que suas obras deveriam ser de grande importância ao Cristianismo. O que eles tinham para falar deveria ser mais importante e de maior autoridade que esse tipo de personalidades que costumam monopolizar nossa atenção.

Infelizmente, o cristianismo moderno deixa pouco espaço aos Pais da Igreja. Por que essas tais igrejas desviam do caminho para evitá-los?

Lembro-me de um incidente na faculdade “Cristo para as Nações”. Numa das aulas, o professor explicava como as escrituras bíblicas sempre foram a autoridade máxima, desde os tempos primitivos e ele usou uma citação de uma fonte primitiva (não me lembro qual era o autor). Um dos alunos perguntou mais sobre os primeiros escritores do cristianismo e o que eles ensinavam. O professor desconversou dizendo que os Pais da Igreja eram importantes somente para confirmar a autoridade das Santas escrituras. Eu mesmo nunca pensei muito a respeito, até o dia em que comecei a ler os Santos Padres.

3- O Marketing - Muitas vezes, o mais recente “movimento de Deus” nos faz suspeitar de mais uma campanha de sucesso de marketing. Se viajarmos para Flórida de encontro ao “reavivamento de Bronsville”, poderemos comprar uma fita de vídeo do documentário, camisetas e canecas. Outro exemplo é o popular livro “Oração de Jabez” que também é acompanhado por uma linha de produtos próprios. Esse comércio é o mais recente numa longa linha de campanhas de marketing cujo alvo são os cristãos. Não há qualquer coisa de intrinsecamente errado com um livro popular ou fita, porém, o cristianismo moderno gerou a expectativa de que tais produtos são normativos para a vida espiritual. Eu, por minha vez, tenho a certeza de que muitas pessoas se beneficiam e obtém coragem através desses objetos e não é minha intenção fazer pouco de algo benéfico, porém, ninguém poderá negar que o que existe hoje é algo exagerado.

4- Também existe a movimentação e mudança. Muitas pessoas são irrequietas e estão a todo o momento na procura de uma nova igreja. As igrejas aparecem, dividem-se e desaparecem. Como ninguém se refere aos Santos Pais da Igreja nas interpretações bíblicas, eu imagino que é por isso que sempre surgem essas modas doutrinárias, como por exemplo: “Benção de Toronto”, “Oração de Jabez”, “Reavivamento de Brownsville” etc. Um ano antes de eu escrever esse artigo, a “Oração de Jabez” era o que estava na moda. Se era tão significante para a vida, como é que agora já está esquecida? E, por que é errado usar os livros das orações dos católicos e anglicanos mas não o é se usar o livro “Oração de Jabez” como um guia de orações?

5- Finalmente, há o entendimento evangélico dos eventos atuais globais. O que se nos oferece de muitos púlpitos, na maioria dos livros ditos cristãos e nas televisões cristãs não é guiado por um estudo ordenado e crítico – é guiado pelo desejo da conspiração e dos eventos sensacionalistas. Conheci diplomatas das Nações Unidas (ONU), pessoas do Conselho para as Relações Externas (CFR), vivi no exterior e posso dizer de antemão que ninguém no nível internacional está preocupado em tirar nossas armas. Não haverá qualquer guerra gloriosa entre “patriotas Cristãos” e a “grande Conspiração”.

Nunca ouvi falar de um livro de profecias ou autor que se referisse a “normas internacionais legais”, dolarização ou que “nação-estado” seja uma ideia nova. Esses três assuntos sozinhos são fundamentais para qualquer discussão dos eventos internacionais. No entanto, os pregadores de televisão e os autores de livros de profecia nunca falaram a respeito deles por uma das duas razões seguintes: (1) eles não entendem nada a respeito ou (2) eles entendem bastante porém jamais falarão a respeito pois isso derrubaria as suas teorias do fim dos tempos.

A importância do estado de Israel possui um papel decisivo na escatologia moderna (N.T. – escatologia = Doutrina do destino último do homem; morte — ressurreição — juízo final) e do mundo. Em assim sendo, a questão Palestina nunca é abordada no cristianismo moderno. A presença do Cristianismo em Belém e Nazaré existe desde o primeiro século. No entanto, esses povos – alguns dos quais são descendentes diretos dos primeiros cristãos – são vistos com desdém pelo cristianismo moderno enquanto que aqueles que se auto-proclamam entendidos em profecias lhes é dada autoridade e lugar de destaque.

Esses cristãos palestinos contentam-se em viver sob qualquer governo que existiu – Cruzadas, Otomanos, Ingleses, Israelenses, etc. E no entanto, esses Cristãos são assassinados. Por quê? Porque os israelenses que os norte-americanos romantizam são humanos com a capacidade de praticarem o mal tal como qualquer ser humano. Os cristãos americanos precisam encarar o fato que os israelenses estão cometendo atos vergonhosos para conseguirem as propriedades dos cristãos. Os cristãos palestinos não receberam qualquer recompensa por permanecerem pacíficos. Há uma coisa infinitamente mais importante do que possuir políticas corretas – é o bem estar do Corpo de Cristo.

Em João 13:35, Jesus disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. Quando Jesus diz “uns aos outros”, refere-se Ele a todos os cristãos. Não há exceções. Isso inclui os cristãos palestinos também. O cristianismo norte-americano falhou terrivelmente quanto a isso.

Muitos pensam que assim como Israel matou mulheres e crianças de outras tribos então o moderno estado de Israel possui plena liberdade para matar crianças e mulheres palestinas. Isso é fazer uso irresponsável e maldoso do Velho Testamento. É também uma leitura distorcida posto que no Antigo Testamento, Deus não disse a Israel para matar todos os que não eram hebreus. Podemos ler em Ezequiel que, no tempo quando Israel encontrava-se no exílio, Deus limitou com precisão o que deveria acontecer quando eles voltassem à Terra Prometida. Para os não hebreus que aceitassem Deus, ele disse para agir assim: “Repartireis, pois, esta terra entre vós, segundo as tribos de Israel. Reparti-la-eis em herança por sortes entre vós e entre os estrangeiros que habitam no meio de vós e que têm gerado filhos no meio de vós; e vós os tereis como naturais entre os filhos de Israel; convosco terão herança, no meio das tribos de Israel.” Ezequiel 47:21, 22.

Podemos perceber por essa passagem que Deus quer que os descendentes dos não-israelitas sejam tratados como os filhos de Israel e deverão usufruir da herança de Israel. Isso é exatamente o contrário do que se ensinam nos púlpitos, porém, é retirado diretamente da Bíblia. Essa é uma escritura que poucos “evangélicos” possuem coragem de citar pois é o oposto da visão de mundo que eles querem que tenhamos.

Tudo isso é ignorado. Em lugar algum a Bíblia diz que devemos enviar os que possuem outras crenças para a morte por causa do ganho político de Israel. Em lugar algum da Bíblia, Jesus declara que nossa lealdade a Israel deverá superar nossa lealdade aos que possuem outras crenças. É totalmente errado aos cristãos formularem uma política pública com base em interpretações não confiáveis de profecia, em especial quando tal política claramente viola os padrões de justiça da Bíblia.

O cristianismo tradicional quando ensina sobre o Apocalipse, o milênio, Israel e o papel da Igreja nos últimos dias é muito diferente do que se ensina hoje no “evangelicalismo”. Parece que o “cristianismo evangélico” se esforça para certificar que as profecias bíblicas serão cumpridas como eles (N.T.: os pastores evangélicos) querem.

Não podemos forçar a nossa política externa, muito menos acordos multilaterais, para seguirmos algum “padrão” encontrado no Velho Testamento ou em Apocalipse. Nós temos uma mensagem clara de Jesus quanto à maneira de tratarmos as pessoas.

Sua mensagem não prevê “armadilhas” ou “exceções no caso de Israel”. Assim como muitos judeus daquele tempo, o erro de Judas Iscariotes foi ele esperar que Jesus estabelecesse um novo reinado judeu para expulsar os estrangeiros. Jesus, por outro lado, deixou clara a Sua intenção. Sua vida, morte e ressurreição estabeleceram os padrões do julgamento futuro de Deus e não eram um acerto temporário até que o estado de Israel fosse recriado. Deus não possui um plano alternativo para a salvação do estado de Israel. Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição cumpriram a promessa feita a Israel. Israel não satisfaz Jesus.

Enquanto o “Cristianismo Americano” tiver como guia a escatologia dispensacionalista (N.T.-doutrina que ensia que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do reino de Deus na Terra), jamais apresentará soluções políticas, econômicas ou diplomáticas concretas aos problemas do mundo. O diálogo cristão que se refere aos problemas do mundo deverá amadurecer para além das conspirações, programas sinistros, etc. Mais ainda, escatologia dispensacionalista não é a mensagem da Bíblia- é uma “interpretação” do que há na Bíblia. Então, como devemos interpretar os livros de Daniel e Apocalipse? Esse problema levantou uma questão muito séria em meu pensamento-: se eu não posso confiar no Cristianismo para explicar ou entender o que está acontecendo no mundo, em torno de nós, como posso confiar nele para explicar ou entender o que ocorreu 2.000 anos atrás? Teria eu coragem de pensar que o próprio Cristianismo poderia não ser a resposta? As igrejas “evangélicas” são a expressão mais arrebatadora e de relevância cultural da fé- se há algo de errado com ela, o que mais haveria? Afinal éramos nós que estávamos “recuperando o essencial” do Cristianismo do Novo Testamento.(N.T.: tudo se refere às igrejas evangélicas e ao “cristianismo norte-americano”).

Certamente, a literatura atual tentava identificar com precisão exatamente o que acontecia, confirmando meus sentimentos. A todo o momento surgiam livros com títulos “Evangelicalismo não é suficiente”, “A crise evangélica que se aproxima” e “ O escândalo do pensamento evangélico”. E então? O que estava errado? Eu não sabia. O cristianismo evangélico condiciona-nos a pensar que os problemas que compartilhamos com outros serão resolvidos por uma “coisa nova” vinda de Deus. Então, qual movimento “novo” estaria trazendo as mudanças necessárias? Isso por si só já é um problema, pois, cada qual estava fazendo “algo de novo”. Alguns até afirmavam que Deus estava “operando algo de novo”. Evidentemente, no entanto, Ele estava fazendo milhões de coisas novas ao mesmo tempo e frequentemente eles se contradiziam.


PARTE II:

O CRISTIANISMO PRIMITIVO

Quando nos casamos, decidimos frequentar uma grande igreja batista. Eu sentia que, muito provavelmente, seria o mais próximo daquilo que eu acreditava, porém, sem a loucura que experimentáramos anteriormente. Fiquei cada vez menos interessado na igreja e então, passamos a frequentar a igreja somente uma vez ao mês. No entanto, comecei a me interessar pelos escritos dos Santos Padres da igreja primitiva e pela língua grega do Novo Testamento. Não tentava descobrir qualquer verdade escondida ou esotérica, eu queria unicamente ter uma visão rápida do Cristianismo Primitivo que obviamente, já não existia mais.

Em 1999, enquanto “navegava” pela Internet, deparei-me com uma versão de texto de um livro antigo chamado Didaqué. O que era isso? Didaqué é um dos primeiros livros de instruções produzido pela Igreja primitiva. Alguns cristãos, lá atrás no tempo, queriam incluí-lo no Novo Testamento. Espere um pouco! Passei minha vida toda na igreja e nunca ouvira falar dele. Se era tão importante aos cristãos primitivos, por que ninguém falava dele? O Didaqué atraiu minha atenção e comecei a ler tudo que pudesse.

Lí Inácio, Clemente, Barnabé e outros, porém, houve dois que falaram mais alto; eram São Policarpo e São Justino, o mártir. Esses deram-me uma visão dos primeiros dias da fé. Policarpo é um grande modelo e teria sido uma personalidade e tanto para se encontrar. Quanto a Justino, eu realmente gostava dele pois ele possuía um profundo conhecimento acadêmico. Ele estudara filosofia e após converter-se ao cristianismo, defendeu a Fé Cristã das críticas pagãs e judias. Justino também deu-nos uma das primeiras descrições da celebração cristã. Aprendi algumas coisas sobre o cristianismo primitivo que me deixaram surpreso, por exemplo:

“E esse alimento, entre nós, chama-se “Eucaristia”, na qual a ninguém é permitido participar exceto aquele que acredita que as coisas que ensinamos são verdadeiras, e aquele que é lavado com a purificação para a remissão dos pecados e renascimento e aquele que vive tal como Cristo ordenou. Pois, não é como pão comum e bebida comum nós a recebemos, porém, tal como Jesus Cristo, nosso Salvador, após ter sido feito carne pela Palavra de Deus, possuía tanto carne como sangue para nossa salvação, assim também nós fomos ensinados que o alimento abençoado pela oração de Sua palavra, e do qual, pela transmutação procede, nosso sangue e carne são alimentados”.

Justino o mártir, Primeira Apologia, em 150 d.C.


Isso soava como uma descrição moderna da teologia Católica Romana, porém, fora escrito por volta do ano 150 d.C. Inácio de Antioquia, que (de acordo com a tradição Siríaca) fora ordenado pelo próprio São Pedro, dissera algo semelhante em sua carta aos ismirnianos (N.T.: Ismirna é um porto no oeste da atual Turquia):


“Considere todos os que defendem opiniões hereges no que se refere à graça de Jesus Cristo o qual veio para nós...eles não confessam que a Eucaristia é o corpo de nosso Salvador Jesus Cristo.”


Eu aprendi outras coisas surpreendentes também: A Pregação não era a parte central da celebração primitiva. O ato principal da celebração Cristã era a Eucaristia. Eu aprendi que, caminhando pela história do Cristianismo, qualquer questão ou disputa sobre o que a Bíblia diz, era resolvida referindo-se aos Patriarcas da Igreja, e não iniciando uma nova seita.

A Igreja primitiva possuía uma hierarquia constituída por bispos, sacerdotes e diáconos. Passei a acreditar que os escritos do primeiros patriarcas deveriam ter ascendência e autoridade sobre qualquer coisa escrita pelos autores modernos cristãos.

Após três anos de frequência irregular à igreja, eu confessei à minha esposa que não gostava mais de ir à igreja. Isso era muito difícil pois eu sabia quão importante era para ela. Ainda assim, eu estava sendo honesto- eu não tinha mais prazer em ir à igreja havia quase uma década! Por quê? Começara a perceber que havia uma “diferença de gerações” muito grande entre a Fé que eu conhecera e a Fé como era nos primeiros séculos. Também percebi que houvera um “revisionismo histórico” que acompanhava o protestantismo. Pelo simples fato de ler os Patriarcas da Igreja primitiva, era fácil perceber que aquilo que me haviam ensinado antes, sobre o Cristianismo primitivo não era verdadeiro.

Algumas igrejas evangélicas, pentecostais e carismáticas (aquelas com as quais eu me envolvera) ensinam que elas são um retorno ao “cristianismo puro” o qual se perdera; quando de fato elas são algo totalmente novo. Assim, para reivindicarem que possuem autoridade doutrinal, uma nova história ou mitologia deve ser reconstruída a favor delas. Elas ensinam de seus púlpitos que os cristãos “reais” e “verdadeiros” eram “subversivos” espirituais e foram martirizados por uma igreja apóstata e intolerante. Por causa da brutal opressão da igreja oficial, muito pouco disso pode ser documentado com nomes e datas específicos... isto é, até o século 16º ou 17º quando surgiram os anabatistas e menonitas. Aí, a formação dos Estados Unidos da América do Norte providenciou um ambiente no qual esses “verdadeiros” e “vitimados cristãos” puderam florescer novamente.

Da mesma forma, alguns batistas tentaram, de tempos em tempos, identificar sua seita com grupos como montanistas, albigenses, valdenses etc, argumentando que eles são parte do corpo histórico de cristãos que continuaram a existir através dos séculos. Muitos batistas chamam isso de: igreja da “trilha de sangue”.

No entanto, quanto mais eu aprendia sobre a história do Cristianismo, eu começava a fazer questões de difícil resposta. Se os batistas eram os verdadeiros cristãos do primeiro século, por que eles não ensinavam o Didaquée? Por que não usam a liturgia de São Tiago? Ou por que eles não possuem uma liturgia “mais velha” que a de São Tiago?

Se os batistas descendem dos montanistas, por que eles criticam o “sinal da cruz” como invenção dos católicos? Tertuliano que era defensor do sinal da cruz era, ele mesmo um montanista. Se os batistas descendiam dos valdenses europeus, por que não há qualquer hino francês ou italiano nos hinários batistas? As igrejas valdenses usavam o francês ou italiano até o último século, bem depois da composição de muitos hinos batistas. E por que os modernos valdenses nunca reivindicaram qualquer associação com os batistas? As congregações valdenses que ainda existem se associam (nos Estados Unidos) com as seitas metodistas e presbiterianas.

Eu descobri que as inovações doutrinárias que se desenvolveram em Roma, nunca foram aceitas e nem agora são aceitas pelas Igrejas Orientais. E que jamais o Papa de Roma tivera qualquer autoridade para forçar alguma doutrina sobre os outros centros cristãos. O resto do mundo estava sob a autoridade dos Bispos de Antioquia, Jerusalém, Alexandria, Moscou e Constantinopla - todos em pé de igualdade com o Papa e todos independentes do catolicismo romano. Essa suposta opressão contra “os expulsos para o deserto” ou “igreja do rastro de sangue” que os evangélicos reivindicam não era um fenômeno universal visto que nem a Igreja Católica Romana ou a autoridade do Papa de Roma ultrapassava a Europa. Quais grupos os Bispos de Antioquia ou Jerusalém oprimiram que acreditavam o mesmo que os protestantes modernos? Se tais grupos existiram na Ásia, África ou Oriente Médio, nós saberíamos algo sobre eles pois teriam algum contato comprovado com outras minorias cristãs históricas, como os maronitas, coptas, nestorianos etc, ou ainda, teriam sobrevivido ao lado desses.

Eu fora criado e batizado como batista. Eu dou valor e aprecio muitas coisas das igrejas que frequentei e sei que somente uma minoria das igrejas ensina isso, porém, um olhar sério e honesto sobre a história do Cristianismo mostrou-me que:

  1. Nenhum dos grupos cismáticos nos primeiros mil anos do Cristianismo era semelhante aos batistas ou qualquer grupo protestante;
  2. Muitas das tradições “católicas” que o imperador romano Constantino supostamente inventou – tal como: celebração litúrgica, sinal da cruz, bispos e padres - na verdade, antecediam Constantino por centenas de anos ou mais.


Além disso, havia TANTO do Cristianismo primitivo a entender: havia línguas antigas que continuavam vivas, sínodos da Igreja, escritos de pessoas que conheceram os Apóstolos, registros do que acontecera aos “setenta” que seguiram Jesus, etc. Não havia debalde qualquer incentivo ao aprendizado desse material na minha igreja. Se eu quisesse aprender sobre as pessoas mais importantes do Cristianismo primitivo, eu deveria fazê-lo totalmente fora da igreja, como se fora um passatempo (N.T.: sempre que o autor se refere à “igreja”, trata-se das igrejas batista, evangélica e outras que ele frequentara).

Enquanto isso, minha esposa rezava secretamente para que eu me interessasse novamente pela igreja. Com ela tenho uma dívida de gratidão por sua paciência e compreensão. Pouco eu desconfiava que sua oração simples e desprendida teria tamanho impacto em minha vida.


A BÍBLIA: LÍNGUA E ORIGENS

Tudo se tornava interessante. Aprender sobre as fontes do Novo Testamento me expunha a complexidades e problemas enfrentados pelos tradutores. Por exemplo, quando os estudiosos se punham a traduzir os manuscritos gregos ao idioma inglês, eles precisavam decidir quais fontes gregas deveriam usar pois, nem todas eram consistentes.

Além disso, os estudiosos deveriam utilizar sua intuição ao traduzir algumas passagens ou palavras. Quando lemos a Bíblia, depositamos muita confiança nos PhDs para conduzir de forma exata o significado das Escrituras (N.T.: PhD é a sigla de doutor em filosofia, o mais alto grau de uma universidade). Algumas pessoas dirão que o Espírito Santo fará com que as traduções sejam corretas. Precisamente, qual tradução o Espírito Santo “protegerá”? Temos versões da Bíblia que refletem inúmeras variações de tradução. Até mesmo as mais “exatas” e modernas traduções inventam um pouco só para certificarem que o texto casa com suas doutrinas preferidas (exemplo: remoção da palavra “tradição” de II Tessalonisenses 2:15 e 3:6) e às vezes, material duvidoso que pode não estar no texto original é mantido e não apontado ao leitor, pois, doutrinas importantes foram baseadas naquelas passagens (por exemplo: a adição da palavra “sola” que Lutero fez, criando “sola fide” ou seja “somente a fé”).

Em tese, seria possível encontrar uma Bíblia que suportasse perfeitamente a tua doutrina e alguém discordaria contigo e por sua vez, encontraria uma Bíblia que suportaria a sua doutrina. Nós vemos que traduções recentes, propositalmente alteraram a Bíblia para torná-la “politicamente correta” e “neutra quanto ao gênero”. Fico imaginando se há uma tradução moderna que não reflita a polarização de seus tradutores! Traduzir ao pé da letra não é suficiente. Se se traduzisse do grego literalmente, não teria nexo, é preciso conhecer o contexto para trazer as ideias ao inglês de forma que tenha significado.

O que mais me desencorajava era que mesmo se pudesse encontrar uma tradução que não refletisse a polarização de alguém, ainda assim, haveria ideias que nunca poderiam ser traduzidas com precisão ou sucesso de uma língua para outra. Cada língua carrega consigo um conjunto próprio de ideias. Podemos encontrar filosofias completas numa língua definida que não pode ser comunicada de qualquer outra forma. Uma boa ilustração disso são as religiões tribais dos indígenas da América. Não se pode aprender as religiões desses indígenas através de livros obtidos em livrarias (apesar do que nos querem fazer crer os neo-pagãos) - crenças e costumes tribais autênticos se aprendem na língua tribal pois as ideias e conceitos não podem ser explicados em inglês ou qualquer outro idioma.

Então, onde podemos achar alguém que entenda todo o conjunto de idéias próprias de uma língua? No lugar onde tal língua é falada. Eu supunha que o melhor lugar para se procurar uma interpretação histórica e confiável do antigo “koine” grego seria a Igreja Greco-Ortodoxa. Ainda assim, isso não seria suficientemente bom, pois, como dissera, há algumas ideias que jamais serão traduzidas com precisão e sucesso de uma língua para outra. Sim, os Evangelhos foram escritos em grego – mas Jesus falava aramaico.

Aramaico é primo do hebraico e do árabe. Durante a vida de Jesus, a maioria dos povos semitas do Oriente Médio falava aramaico, inclusive os judeus. O hebraico havia caído em desuso, em parte por causa do exílio dos judeus, séculos antes e assim, havia poucas pessoas que falavam hebraico naqueles dias. Algumas vezes, na Bíblia, ela menciona a “língua hebraica” que Jesus falava mas de fato, as palavras registradas no texto não são hebraico; elas são aramaicas (como quando ele gritou: eloi, eloi, lama sabachthani, em Mateus 27:46). Quando os autores dos Evangelhos escreveram “língua hebraica” eles se referiam à língua falada pelos povos hebreus que, naquele tempo era o idioma aramaico.

Assim, eu chegara a um beco sem saída. Se as ideias podem se perder na tradução do grego ao inglês, então, com certeza, as ideias foram perdidas quando as palavras de Jesus foram traduzidas do original aramaico ao grego. Aramaico era uma língua morta, então, não havia mais quem pudesse entender o pensamento e ideias próprias daquela língua. Eu estava desagradavelmente preso com o que quer que a Igreja Greco-Ortodoxa tivesse para falar.

Depois que nos mudamos para a cidade de Oklahoma, no início de 2000, eu adquiri um livro da Borders chamado: Uma história do Problema Sinóptico: o Cânone, o Texto, a Composição e a Interpretação dos Evangelhos (A History of the Synoptic Problem: the Canon, the Text, the Composition, and the Interpretation of the Gospels), escrito por David Laird Dungan (1999). Esse livro é um estudo acadêmico, porém, de leitura muito fácil sobre o antigo “Problema da Sinopse”, isto é, como reconciliamos os diferentes registros da vida de Jesus apresentados pelos quatro Evangelhos.

Esse debate está presente desde antes de ser fixado o cânone bíblico. O autor David Dungan dá uma história concisa e interessante de como o Problema das Sinopses fora abordado por sábios como Orígenes, Agostinho, Erasmo, Espinoza e John Locke. Ele também descreve as abordagens econômicas e políticas que influenciaram as interpretações bíblicas durante o passar dos séculos. Em parte, o propósito de Dungan ao escrever esse livro era o de conscientizar o público que o tão popular “Jesus Seminar” não representava os pontos de vista da maioria dos estudiosos da Bíblia e ele argumenta que o consenso entre os sábios, desde o antigo até o moderno, é de um método muito mais confiável para julgar a historicidade e confiabilidade do Novo Testamento. ( N.T. “Jesus Seminar” é um grupo de estudiosos dos Estados Unidos que tenta provar apenas o lado histórico da vida de Jesus Cristo, negando todos os milagres que Ele realizou.)

Foi um livro e tanto e nele eu aprendera muito sobre a história da Bíblia. Eu aprendi que a Igreja durante o primeiro século viveu por 30 ou 40 anos sem os livros do Novo Testamento. Eu nunca imaginara isso antes. Assim, obviamente, Sola Scriptura, não poderia ter sido uma doutrina da Igreja do primeiro século. Sim, eles possuíam o Antigo Testamento, porém, os ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos foram, de início, uma tradição oral. Eu fiquei perplexo ao saber que mesmo após serem escritos os livros do Novo Testamento, a Igreja passara outros 300 anos sem acordo sobre o conjunto de escrituras.

Depois, veio o tempo em que a Igreja Cristã como um todo precisava de um conjunto comum de escrituras bem definidas a fim de ensinar os fiéis, para o uso comum da liturgia e enfrentar as heresias que surgiam em abundância. Diversos sínodos foram convocados para discutir isso (e outras questões importantes). Então, dentre todos os escritos cristãos importantes disponíveis naquele tempo, quais seriam escrituras inspiradas? Mais importante ainda, quem decidia quais livros seriam considerados “Sagrada Escritura”? Esse processo era muito importante para ser aberto para qualquer um que se auto denominasse cristão. As únicas pessoas suficientemente confiáveis para definirem a Sagrada Escritura seriam os episkopoi (anciãos, supervisores) que fielmente passavam adiante os ensinamentos dos Apóstolos e cuidavam das interpretações tradicionais do cristianismo.

Onde a Igreja primitiva achava tais homens? Esses eram aqueles cuja linhagem de liderança poderia ser traçada de volta aos Apóstolos (Sucessão Apostólica). Em outras palavras, eles eram os episkopoi, ou bispos, das antigas Igrejas de Antioquia, Constantinopla, Roma, Alexandria e Jerusalém. Duas coisas ficaram claras:

  1. A Bíblia era um produto da Igreja cujo propósito era dar suporte à Tradição existente;
  2. O processo não estava aberto a igrejas independentes, evangelistas viajantes ou qualquer um que se sentisse “chamado”.


Outro detalhe que se sobressaia no livro era a descrição dada por Dungan de como o “Textus Receptus” (o texto grego que é base para a versão do rei James) fora montado. Ele conta como os editores competiam para publicar um texto em grego antes que a Igreja de Roma o fizesse, dessa forma “conquistariam o mercado”. Os editores possuíam um programa econômico bem definido. Erasmo, o sábio que fora contratado para montar o texto, estava sob grande pressão do tempo. O trabalho começara no outono de 1515 e a impressão saiu em fevereiro de 1516. Como resultado, Erasmo não pode revisar o seu trabalho comparando-o com manuscritos confiáveis que existiam em outras partes da Europa e, posteriormente, fora pressionado pela Igreja Romana para incluir passagens que ele mesmo sentia que não eram pertinentes (por exemplo as “Três Testemunhas Celestiais” de 1 João 5:7-8, que desde então pode ser encontrada em quase todas as edições do “Textus Receptus”). A velocidade com que o livro fora impresso significava que continha milhares de erros tipográficos. Pior ainda, o texto fora mal editado e de forma apressada a partir de alguns poucos manuscritos. Então essa era nossa Bíblia (N.T.: o autor refere-se à versão do rei Jaime – King James Bible, a partir da qual todos os protestantes fizeram suas traduções e versões). Meu Deus! Parece que não se podia mais confiar nem no grego!

Cheguei à conclusão que, de toda essa incerteza, nós PRECISAMOS mesmo de algo independente da Bíblia e que não dependesse do indivíduo para sabermos como as Escrituras deveriam ser traduzidas corretamente aos iniciantes e então interpretar seu significado objetivamente. Sem tal mecanismo, o intérprete perfeito seria o indivíduo. Mesmo então, o indivíduo estaria interpretando tão somente o que um tradutor particular teria escrito.

Então, pensei: – Está bem, se o intérprete perfeito é o indivíduo, então nenhuma Igreja poderá reivindicar que ela é mais “certa” que as outras. Uma interpretação rastafariana da escritura seria tão válida e deveria ser considerada tão séria quanto a da Faculdade Bíblica de Wheaton ou da Igreja Católica Romana. O problema é que cada grupo pretende que sua interpretação particular é a correta. Bem, quem está certo? Então, ocorreu-me que – com certeza essas Igrejas históricas devem possuir uma tradição – ESSE é o mecanismo. Tradição é o contexto através do qual elas interpretam as Escrituras e mantém uma interpretação consistente através dos séculos. Foi assim que se preservou a crença cristã antes de ser definido um conjunto de Escrituras. Agora eu teria que olhar com muita atenção os grupos evangélicos porque a maioria das seitas protestantes NÃO mantiveram crenças e práticas consistentes nem ao menos numa geração. Por exemplo, inúmeros protestantes não gostam de ser excluídos da comunhão quando visitam uma igreja católica romana. Eles sentem, tal como eu também sentia, que seu cristianismo é tido como não “ser suficientemente bom”. No entanto, essas mesmas denominações que hoje possuem comunidades “abertas”, também praticavam a exclusão de outros, não mais que um século atrás.


ORTODOXIA - NÃO É O QUE EU PENSAVA

Comecei a ler sobre a Igreja Greco-Ortodoxa e descobri que ela não era completamente grega. Era uma rede ou confederação de igrejas multi-étnicas unificadas por suas doutrinas, sem uma autoridade central como a Igreja Romana Católica. Eu entendi a ideia de línguas litúrgicas – a Igreja Romana Católica usou o latim durante os primeiros séculos e é por isso que ela possui o latim até hoje. As igrejas gregas usavam o koiné, por isso a Igreja Ortodoxa preservou o koiné, mas jamais imaginara que isso houvesse ocorrido em outras partes do mundo também. Eu descobri que as igrejas primitivas usavam qualquer língua local falada pelo povo.

Por exemplo, lembra em Atos 8:27, quando Felipe explica as Escrituras ao eunuco etíope? Quando o eunuco voltou à Etiópia, a igreja local utilizava a língua Geez; assim, por séculos a Igreja Ortodoxa Etíope preservou aquela língua. Da mesma forma, a igreja primitiva fundada por São Marcos no Egito usava tanto o grego quanto o egípcio pois ambas eram faladas pelo povo (lembre-se que o árabe chegou mais tarde quando os maometanos invadiram lá, no século VII). Eu fiquei surpreso ao saber que as igrejas Ortodoxas no Egito não somente usavam o grego, mas haviam também preservado a língua antiga do Egito. Essa língua dos faraós chama-se Copta. Eis agora o chantily sobre o bolo – as igrejas na Síria e Ásia Menor, em seu início usavam o idioma Aramaico, e, sim, até hoje essas igrejas naquelas regiões ainda usam o Aramaico, a língua falada por Jesus. O idioma Siríaco (ou Aramaico moderno), é utilizado nas igrejas e ainda é falado no dia a dia de alguns lugares. Isso era surpreendente:- que uma igreja houvesse preservado um laço histórico tão estreito com o Cristianismo original.

Dessa forma, há um lugar para onde podemos ir e entender o pensamento e as ideias que eram parte da língua e cultura de Jesus! Já que as línguas originais haviam sido preservadas e ainda estavam em uso, talvez, então fosse possível encontrar uma tradução confiável da Bíblia, fiel aos significados e ideias originais. Teria a Igreja Ortodoxa essa tradução?

Mesmo se possuíssem, como poderia eu ter certeza que as interpretações dessas igrejas Ortodoxas seriam confiáveis e não modificadas para adaptar tudo a suas doutrinas favoritas? Muito fácil. Basta compará-las com os escritos dos Pais da Igreja. Seriam similares? Não, não eram similares; eles eram os mesmos. Interpretação bíblica na Fé Ortodoxa era e é a dos Pais da Igreja. Os Pais da Igreja não eram somente reverenciados como autoridades mas eles eram dessas igrejas – e membros do clero nessas igrejas - agora chamadas de Ortodoxas.