Cristologia Miafisita - Declaração comum dos Patriarcas Orientais Ortodoxos


[...] "Em verdade nossas Igrejas empenharam-se no decorrer da história e às custas do sangue dos seus mártires buscaram manter intacto o legado do Concílio de Éfeso no que tange à Encarnação do Verbo baseado nos ensinamentos de São Cirílo, o Grande, bem como as decisões do referido Concílio. Queremos aqui citar entre os nossos Santos Padres, em especial São Gregório o Iluminador, São Dióscoro de Alexandria, São Filoxinos de Mabug, São Tiago Baradeus e São Nerses, o Benevolente, que mantiveram firme a fé apostólica e defenderam firmemente a ortodoxia dos ensinamentos dos três primeiros Concílios Ecumênicos.

2º - Os ensinamentos de São Cirílo, o Grande, constituem-se nos alicerces da Cristologia das nossas Igrejas. Foi com base nos ensinamentos que o Comitê da União Oficial do Dialogo Teológico das Igrejas Orientais Ortodoxas e Ocidentais foi capaz de formular um acordo de união que ora se encontra em estudo pelos Santos Sínodos das duas famílias. De fato a seguinte declaração foi mencionada no início deste acordo: “encontramos uma base comum (isto é na fé Apostólica) na fórmula do nosso Santo Padre, São Cirilo de Alexandria – uma Natureza do Deus Encarnado, o Verbo, e no seu dizer que é suficiente para a verdadeira e irrefutável confissão basta dizermos que a Santíssima Virgem Maria é a Mãe de Deus.

3º – De acordo com a nossa sincera obediência à fé, doutrina e ensinamentos dos nossos Santos Padres, firmemente reafirmamos nossa rejeição geral de todos os ensinamentos heréticos de Ario, Sabilo, Apolinário, Macedonio, Paulo de Samosata, Deodoro de Tarso, Teodoro de Monsueto, Nestório, Eutíques e todos os demais seguidores destes ou de outros hereges que propagaram seus ensinamentos heréticos errôneos.

4º – Cremos que Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo, Filho de Deus, veio na Sua própria pessoa. Ele não assumiu uma pessoa humana, mas Ele Próprio por união hipostática (União das duas naturezas, humana e divina, na única pessoa de Jesus Cristo) tomou plena e perfeitamente a natureza humana, corpo e alma racional, sem pecado, da Virgem Maria, através do Espírito Santo. Ele constituiu sua própria humanidade numa natureza encarnada e uma encarnada hipostasia com sua Divindade no exato momento da encarnação através da verdade natural da união hipostática. Sua Divindade não se separou da sua Humanidade nem por um momento, nem por um piscar de olhos. Esta união é superior à descrição e percepção. Quando falamos de “uma natureza encarnada da Palavra de Deus” não queremos dizer Sua Divindade em separado ou Sua Humanidade em separado, isto é, uma única natureza, mas falamos de uma união divina-humana natural em Cristo sem mutação, sem mistura, sem confusão, sem divisão e sem separação. As propriedades de cada natureza não mudam nem são destruídas por causa da sua união, as naturezas se distinguem uma da outra exclusivamente em pensamento." [...]

Trecho da Declaração Conjunta dos Patriarcas das Igrejas Orientais Ortodoxas (não-calcedonianas).